terça-feira, 18 de março de 2008

Aeroporto

Um segundo se passa. Olhares se cruzam. Aquela paradinha. Olhares que nunca mais se perderam. Um passo. O abraço. Aeroporto tem disso. Emoções que afloram, explodem. Saguão de aeroporto sempre vai me remeter a este tipo de sensação. Reencontro, sorrisos, choros, despedidas. Aeroporto. Aeroporto... Deve ser assim nas rodoviárias e portos também. Mas o aeroporto... Humm... A pessoa vira e vai. E você fica olhando-a ir para, sabe Deus, quando retornar (quem sabe se isso realmente vai acontecer ou não). Na mala de cada um, uma vida inteira. No coração de quem fica, tristeza. No de quem vai, sabe-se lá o que se passa. Aliás, sabe-se sim. Cada um sabe. E isso depende muito de quem se deixa ali, no saguão.

Mas tem coisa melhor do que a chegada de alguém querido? Emoções. Além do barulho infernal das turbinas dos aviões, 'dings dongs' de anúncios de chegadas e partidas de aviões, daquela voz padronizada que faz o tal anúncio, há um turbilhão de emoções. Saguão lotado. Gente com placas nas mãos. Turistas. Muitos turistas. E quando pensamos que tudo vai dar certinho, nos perdemos... Em pensamentos, sensações, situações.

Os olhares se cruzaram. Sim, muita gente. Crianças correndo de um lado para o outro. E foi assim que mais uma vez digo que nos reencontramos. Depois da paradinha, o primeiro passo. Frente a frente. E... Alguém passa no meio. De repente, além de olhares, sorrisos. E o tão esperado abraço.

Saguão de aeroporto passou, então, a ter um significado para mim. Não é lugar só de passagem. Também é de encontro. Dá um certo friozinho na barriga chegar àquele lugar tão espaçoso, com tantas pessoas indo e vindo. Mas, um certo alívio pelas sensações. Sorrisos que virão, abraços recebidos, gestos, pequenos gestos mútuos. Isto revela tanto das pessoas. Cada um deve ter uma maneira de definir sentimentos, sensações, idéias, fatos. Mas, e quem consegue definir os encontros? Quem define aquele pedaço de segundo que se torna momento nas recordações e lembranças?

É assim que vai ser a vida inteira. Quanto mais encontrarmos pessoas, mais momentos de recordações guardaremos. E a vida vai se tornando um livro cheio desses momentos. Não haverá nada mais que possamos levar dessa vida. Levamos somente aquilo que ficou gravado na nossa alma. Tem coisa melhor para deixar guardadinho na gente do que isso? Pessoas, sentimentos, emoções e sensações. Aeroporto é mesmo um bicho danado!

Manaus, 23/12/2006.

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