Meu avô sempre me dizia que não queria que eu crescesse. Queria que eu continuasse a ser aquela criança que corria pela casa, sorrindo e, de certa forma, alegrando a família. Hoje, eu entendo bem o que meu saudoso avô queria dizer com aquilo. Como é gostoso ver o sorriso espontâneo de uma criança! Melhor ainda é sentir as mudanças, a evolução, o crescimento...
Lembro quando recebi a notícia do meu irmão de que ele seria pai e eu, conseqüentemente, tia. Tanta mulher pensa por aí: “Tia? Jamais! Nunca vou ficar para a titia”. Pois é. Mas eu fiquei. A Júlia chegou e, com ela, uma paixão diferente em mim. Logo depois, veio a Maria Gabriella, filha de outro irmão. É inexplicável. Deve ser parecido com o amor incondicional que uma mãe devota a um filho. Eu ainda não sei e, quem sabe, um dia saberei. Mas se for parecido, pelo menos sei o que é ter um pouquinho de mim em outra pessoa.
Meu irmão abriu a porta do quarto saltitante de alegria e anunciou: “Lôra, acorda! Eu vou ser pai!!!”. Eu, que sempre me irritei ao ser acordada subitamente, ainda mais depois de uma sexta-feira castigante numa redação de jornal, pulei da cama, o abracei e senti uma vontade enorme de chorar. É... Ali já era fato, eu estava ficando para titia. Uma felicidade invadiu minha alma. Alguém que ainda estava por vir já era muito amado a partir daquele segundo pós-notícia bombástica.
Minha cunhada, coitada (perdoe o termo), teve que agüentar minhas mãos que passeavam pela sua barriga todos os meses até o nascimento da Júlia. Sentir aquele serzinho chutando, se movimentando, faz a gente pensar na mágica da vida. Minhas primeiras impressões desse momento foram a de tentar imaginar como alguém consegue viver naquele espaço pequeno, dividindo terreno com o corpo de uma mulher e, em um instante seguinte, estar nos nossos braços, chorando, sorrindo, dormindo, comendo... É... a mágica da vida. Inexplicável.
A Gabizinha foi uma grata surpresa. Não só isso, foi um caso de amor gradativo ao mesmo tempo em que a apreensão por sua vinda aumentava também. Foram meses intermináveis. Em ambos os casos, ouvi dos meus irmãos: “Lôra, sua sobrinha nasceu”, num tom choroso de felicidade. Sabe aquela sensação de querer jogar tudo para cima e gritar? Como explicar, meu Deus, a transformação que a vinda de uma criança causa na nossa vida a partir daquele segundo? Alguém aí sabe me dizer?
Inexplicável também essa sensação de plenitude que nos invade ao perceber que uma parte de você está ali, bem do seu lado, às vezes pedindo carinho, às vezes fazendo arte, outras vezes chorando ou sorrindo. Enfim... como imaginar que um dia viveremos isso? Eu tenho orgulho de me sentir tia da Júlia e da Gabizinha. Peço licença às minhas cunhadas, mas não só tenho orgulho de ser tia, como também um pouco mãe. É paixão e amor diferente de tudo o que já vivi e senti na vida. São duas criaturinhas que me fazem sorrir mesmo quando estou no momento mais tenso e irritante do dia. Transformam as noites de domingo em alegrias e sorrisos (além de muita bagunça pela casa).
Ver a Júlia correndo em direção aos brinquedos e me chamar com um “Vem tia Nanne. Vem brincar, vem”, ou olhar naquele olhar penetrante da Gabizinha, faz com que todo o mal do mundo desapareça. Se sentir isso é “ficar para a titia”, por favor, peço aos meus irmãos que continuem providenciando mais sobrinhos. E, agora, vou concordar com meu avô. Continuem crianças vocês duas, que eu continuo aqui, titia...
Manaus/AM, 03 de maio de 2008.
sábado, 3 de maio de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
a vnatagem de ser titia é que pode "estragar" os sobrinhos. Mas ser mae/pai é muiiiiito show de bola.
:)
Verdade o melhor coisa da vida é ser mãe
eae de boa
Postar um comentário