Não sei se vocês lembram de um antigo comercial. “Denorex: Parece, mas não é”. Era um xampu que prometia eliminar de uma vez por toda a caspa da cabeleira da rapaziada, mulherada, enfim, de todos. É só um exemplo (da década de 90, tudo bem, mas é né?). Mas mostra bem como o marketing está em tudo e todos. As pessoas estão sempre querendo vender seus “rótulos”, como se estivessem expostos em prateleira de supermercado. E o que parece melhor, na vida real e no senso comum, acaba se tornando melhor. Porque, definitivamente, muitos levam em consideração que só terão uma vida plena com a aceitação e elogios do mundo inteiro.
Parece. E se parece, é né?! Acontece que quando o “rótulo” nos permite conhecê-lo um pouco mais, acabamos descobrindo um produto pouco ou muito diferente do que estava sendo “vendido” na prateleira. A aparência e a embalagem contam muito para atrair olhares, fãs, adeptos e aceitação. Por trás disso, nem tudo são flores. Marketing, meu querido. Todos vivemos dele. E para sustentar isso, basta que vocês (ou nós) prestem atenção nos discursos das pessoas. Só um minuto de atenção, por favor, ao discurso alheio.
“Eu fiz, eu sou, eu tenho, eu vou, eu posso...” Olha o marketing da vida aí. Para que e por que tudo isso? O mundo é cão, diriam algumas pessoas. É uma luta constante, uma briga de gladiadores todos os dias. Vence quem se apresenta melhor (e quem se apresenta melhor, muitas vezes é considerado o melhor para o senso comum, ou a maioria). A vaidade é a tendência do novo século, diriam outras. É só perceber o quanto cirurgia plástica deixou de ser tabu e virou algo tão natural quanto escovar os dentes. É o preço que se paga para se mostrar a melhor embalagem.
O fato é que a humanidade vive uma superficialidade incrível, em que muitos se apresentam da forma mais conveniente e tantos outros aceitam só rótulos e embalagens. E nós nos acostumamos com isso. É natural. Não!!! Natural, coisa nenhuma!
Eu gosto de gente que é gente e não produto!!! Não existe produto perfeito, muito menos ser humano. Aliás, aprender a conhecer a humanidade de cada ser é um desafio para os seres da atualidade. É mais fácil ser amigo de um cachorro (que não fala, não abraça e expressa sentimentos com lambidas), do que ter alguém com quem possa ter uma conversa sincera sem se sentir numa competição de quem é o melhor. Nada contra cachorros. Mas quando trataremos o “alguém” ao nosso lado como alguém de verdade e não um produto do marketing da vida?
Sinceramente, não quero viver na superfície. Quero conhecer e aprender mais, nem que precise mergulhar na profundidade das pessoas e enxergar coisas que estão guardadas a sete chaves, a essência de fato. É muito melhor, não é não? Dá mais trabalho. Mas, e quem disse que coisas fáceis são valorizadas?
Estou passando direto pelas prateleiras. “Dá licença, moço. Para quê servem esses produtos aqui? Quero conhecer a essência deles”.
Manaus/AM, 07/08/08.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
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