Há exatamente um ano, recebi seu último beijo. Na testa, no momento em que adormecia após ter esvaído minhas forças durante aquele dia. Um dia triste. Custei a acreditar que tinha que me despedir. Aquela última imagem, fria, imóvel e quieta, não se assemelhava em nada à figura alegre, determinada, austera e carinhosa que eu tanto admiro até hoje.
Após enfrentar médicos, assinar atestados, me deparar com um corpo frio e vazio de alma, providenciar funeral e acabar a tarde num cemitério, entre choro intenso e uma despedida forçada, o alento daquele beijo me fez adormecer.
Um ano depois, estou aqui, vô, numa maratona de trabalho. Mesmo com a correria do dia-a-dia, meus pensamentos ficaram cheios de lembranças boas da nossa convivência.
Saudade.
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