Quando a sensibilidade está aguçada, qualquer coisa mexe com a gente, né? Nunca tinha chorado ao ler um livro. No máximo, tinha ficado tocada, sensibilizada com alguma história (e olha que são muitas histórias todos os dias, o dia todo). Mas... essa madrugada foi diferente. Devorei um livro e me debulhei (nunca tinha usado esse verbo até hoje!) em lágrimas. Sofríveis. Iguais à história do personagem central. A cada lágrima, uma lasca da minha pele era arrancada e doía demais, tudo. Algumas coisas realmente nos despem de tal maneira, que só compreendemos quando o turbilhão de sensações passa. Comecei a ler aquele livro despretensiosamente. E foi despretensiosamente que me vi soluçando, virando as páginas, vendo as horas passarem, tentando entender toda a angústia daquela história e, ao mesmo tempo, expondo toda a angústia que me consumia há dias. Me deixei levar por aquela tristeza sem fim e chorei como há muito tempo eu não chorava. Um choro sincero, angustiado, doído. É como me sinto. Mas também é necessário para continuar, virar a página e seguir a vida. E a única coisa que desejo, no meio dessa confusão toda, é que passe rápido. Porque a vida não vai me esperar para aproveitá-la. E, apesar de clichês, repito mentalmente todos os dias frases muito proferidas nos últimos dias. ‘Gostoso é viver’, ‘A vida é agora!’, ‘Felicidade se acha em horinhas de descuido’. Já que a alma está lavada, a tristeza está findando e a vida prosseguindo, nada melhor do que sorrir e aproveitar as horinhas de descuido.
Ah, o livro? O caçador de pipas.
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1 comentários:
Oi, tudo bem?
Então eu não li o livro, mas vivi o filme. Acho que não lemos, e sim vivemos a história e muitas vezes os traços de identificação com a nossa vida nos fazem chorar. É bom chorar e é bom rir. Isso é aproveitar a vida. Acho assim. Beijos
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